sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Pelos teclados, pelas palavras. Salve! Salve!

por Lúcia Carvalho

Em tempo de medo, ameaças e insegurança, resta-nos muita coisa, que passa por muito riso e pouco siso: morder o fel, se lambuzar no mel e ser a abelha rainha. E como encarar, de frente, de lado, de trás - tem muita gente saindo do armário - a dúvida cruel, que é o nosso inferno astral, moral, oral, a incerteza do tempo, dos políticos tão mais Lúcifer que o próprio diabo?

Perguntar, perguntar... Será que essa história que não devemos ter resposta para tudo continua sendo a hora, ora, a voz da vez? Nos bares da night em Salvador, abundam perguntas: a cerveja está gelada? Tem Bohemia? E rosca tem de que? Pode trazer a conta? Respostas, a roda de conversa no bar dá para quase tudo, para quase nada e até para nós mesmos.E não estão cheios de homens vazios, como disse em tempos passados o poetinha. Mas de homens e mulheres cheios, um do outro, cheios de solidão, da rotina do cotidiano, da falta de rotina, da falta de grana, de ter muita grana perdida, e quase, se não fosse a conjunção, cheios de si, cheios de si mesmo.Vale a pena continuar blogando, falando, escrinvinhando ou, de fato, realmente teclando. Não aquele piano preto, ou afro, que é mais moderno e politicamente correto, mas palavras, não tão secretas como se gostaria, pois até o segredo deixou de ser segredo e hoje vive sem identidade, sem memória, revelado por alguns milhões de dólares. Se até segredo se desnuda imaginem... Estamos também aqui nos mostrando sutilmente, da forma mais primitiva (com as palavras e o toque) e mais moderna, claro, pois quem acredita que ser primitivo (e como somos primitivos quando crianças!) é não ser moderno, esquece que na infância quando aprendemos a falar são elas, as palavras que nos fazem brincar, ouvir histórias, nos embevecer diante da lua, do sol quando sentimos que apenas três letras aquecem e iluminam o nosso corpo.