(por Malu)
Assim a vida se forma, assim os vínculos surgem: das palavras, dos sentidos, de um lugar qualquer do mundo onde dois seres com alma e pele dialogam, silenciam, sorriem, amarram a cara, soltam os seus desejos, anseios e sei lá mais o que (mistérios sempre hão de pintar por ai, disse Gilberto Gil uma vez e já faz tanto tempo...).
Queremos tudo na medida certa (?), no tempo e ritmo desejável, cartesianamente como deve ser. Talvez com o equilíbrio e a ordem da natureza que se altera quando o humano desumano ignora a natural organização do universo.
Mas ela, altiva, aventureira, traquina de certo modo, e é da vida que falo, não segue o caminho que queremos. Ela quer o caos do erro, o desencontro. Criar e distribuir mistérios, nos fazer chorar e rir às vezes ao mesmo tempo (é o namoro singular dos olhos com a boca) demonstrando, insistindo e repetindo que este jeito e modo de querer conviver com ela que aprendemos desde a infância, não é bem assim... Ela é rebelde sim, ela quer que percebamos a ambigüidade, a insegurança e que o “sempre está por um triz” e como nessa percepção, o sentir pode ser puro e verdadeiro e o desejo selvagem e apaziguante. Difícil é essa convivência com o efêmero!
Brincar com as palavras e escreve-las para expressas coisas já tão bem ditas por tantos escritores, é novidade para cada um no seu solitário momento de dialogo com as palavras. È o encontro com suas matrizes de aprendizagem, seu jeito de ser e estar no mundo. E ai o mesmo assunto tem tantas e múltiplas formas de escrita como esta minha agora, que quando estiver no blog diante de tantos olhares e percepções terá variadas leituras, pois todos somos, também, autores do texto que lemos.





