Por MaluO que uma viagem voltando para Salvador , por ferry, evoca em nós?
Retornava de um encontro com agricultores onde falavam da importância da cultura em suas vidas e, vendo e respirando o manguezal que circunda Bom Despacho, escrevi algumas palavras saídas, sem vontade de se fazer texto, mas corporificando uma memória de quando adolescente ainda. Voltava da ilha e o cheiro do mar, o sal nos meus cabelos e a brisa me fizeram descobrir o que o meu corpo podia me oferecer de prazer sensorial. E foi só uma mecha de cabelo molhado em meu rosto, o arrepio trazido pelo vento na pele queimada para descobrir a sensualidade do corpo e da natureza em nós.
Tudo voltou, na viagem de agora já distante no tempo; como se a mesma paisagem, o cheiro de maresia e a quietude do mar me fizessem reviver e perceber o que senti numa tarde de domingo, ainda forte na minha memória.
Repete-se agora a mesma sensação: meu olhar parado no matiz de diversos tons do azul do céu, nas formas das nuvens que nos lembram ser azul o nosso planeta.Tudo se torna- visível para mim e é como se comêssemos a beleza do cenário com as sensações que nos desperta.
É um momento de encontro com a natureza ,de lê-la num click e tudo se funde num só movimento que nos acolhe fazendo pensar que perceber a natureza pode não nos deixar tão sozinhos na multidão.
Acredito que exercitar e perceber os nossos sentidos abre portas e janelas para descoberta inimagináveis sobre a nossa humanidade e a do outro e de certo modo nos torna generosos com o sentir e a percepção de quem está próximo a nós.
Conclusão? Talvez a de que o desenvolvimento da percepção e dos sentidos é uma chance enorme de pensar que aprofundar o entendimento sobre a nossa subjetividade nos torna mais seguros sobre uma tantas coisas, mais inseguros sobre outras, mas com a razoável certeza de que a nossa humanidade cresce .