segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Trágica Comemoração

por Magneto

Muitos de nós poderíamos sentir a responsabilidade pelo que ocorreu ontem na Fonte Nova. Todos nós temos o dever, a coragem de alardear o perigo iminente. Lembro-me que, por várias vezes, em rodas de torcedores e amigos, bebericando ali no anel inferior da velha Fonte Nova, comentamos sobre o estado do estádio, apontando às ferragens do anel superior, bem acima de nossas cabeças, exibidas como fraturas expostas. O descaso, o desleixo, a falta de cuidado de quem quer que seja responsável pela manutenção do monumento - com destaque ao odor que exala ainda hoje e cada vez pior dos sanitários fétidos e imundos do velho equipamento - foram fatais.

Vidas humanas, mais uma vez, vitimadas pela inconsequência. Sim, quem vai responder por isso? Eu, que me isentei, tendo visto e dito o óbvio entre amigos, agora posso apenas testemunhar. Só isso e mais nada. Por que eu não liguei pro Mário, pro Bocão, pra puta-que-pariu?

Vi numa reportagem da tv, no canal 4 e ao vivo, um oficial da PM afirmar com sobriedade, com objetividade e simplicidade que um relatório com fotografias e recomendação de interdição daquele e de outros espaços do estádio fora encaminhado ao “órgão competente”. Havia em seu rosto uma indignação latente. Chegou a falar com a sutileza de quem teme represália que, qualquer leigo pode perceber o estado de degradação daquelas vigas enferrujadas e dos pedaços de concreto arrancados pelo desgaste, pelo tempo.

Agora vão dizer, com um discurso lógico e soberbo, que a ocorrência é a prova cabal de que a velha Fonte precisa ir pro chão. Um oportunismo que faltou aos atacantes do Bahia e do Vila Nova também.“Vamos assistir e indenizar as famílias das vítimas”, alguém há de falar na mídia, fazendo pose de penar e compaixão.

O jogo foi um “baba”, a invasão do campo e os atos de vandalismo, lamentáveis. A conquista do acesso à série B já seria ofuscada por estes fatos, não como mero detalhe, mas como expressão estapafúrdia da mesma massa de torcedores tão comemorada pela assiduidade aos jogos. Quantidade, número de cabeças, público pagante, parece ser o que interessa. A qualquer custo, incluindo vidas humanas.