por MaluTenho pensando muitas vezes nessa quase compulsão metropolitana e virtual também ,de se identificar com algum grupo, crença, comunidade ou qualquer coisa que nos faça sentir pertencer a alguma coisa ou a alguém.
Mas esse pertencer é tão enganoso, superficial e inconsistente quanto o causo das duas metades da laranja que fazem o casamento perfeito.Não devemos esquecer que o desejo nosso se alimenta e nutre da falta, já diziam Freud e Lacan e assim, nenhum grupo e comunidade vão substuir essa incessante busca da natureza humana por uma completude inalcançável.
A solidão a um, a dois a três nos empurra e nos lança nos virtual mundo dos que “odeio acordar cedo,” detesto cigarro” “odeio cebola.”, “adoro carnaval,” “sou chicleteiro” (argh!)..e tantas outras preferências ou des preferências que reúnem pessoas em torno de afinidade tolas e pueris e as acomodam a atitudes e traços de comportamento por estarem naquela tribo de afinidade.
Estranhamente porem, essa tribo que remonta há anos , quando a convivência tribal garantia a sobrevivência de todos, hoje é uma figuração para que não encaremos de frente, de lado, cara a cara ,a solidão que a vida na cidade grande nos impõe sorrateira e cruelmente.
Não seria melhor a tribo dos sem tribo? Liberdade para gostar, desgostar, circular entre os sentidos e sensações mutantes que nos movem para fora desses grupos e nos permite a escolha daquele encontro e dialogo com o nosso pensar e sentir, silencioso, calmo, vibrante, que corta, fere e nos arrasta para uma tribo maior que está dentro de nós.Afinal, cada cabeça é um mundo...