quarta-feira, 10 de outubro de 2007
A Diversidade da Ignorância
por Magneto
Vamos tratar do quão ignorante é a nossa diversidade mais contemporânea. Falo do caldo cultural da Bahia, sobretudo da cidade de São Salvador. O caldo é abundante e ralo, um “mijo de bode”. A raiz da cultura que se reproduz e se transforma por degeneração é a escassez. A inventiva se multiplica pela falta de oportunidades, pela indisponibilidade, pela inacessibilidade ao conhecimento.
Ora, se o ensino fundamental no Estado tem-se caracterizado pela repetência, evasão, distorção idade-série, apesar de todo investimento anunciado nos últimos anos e do tão comemorado e propalado crescimento da taxa de atendimento escolar, as conseqüências podem ser projetadas. O nível superior é um complexo de fábricas de diplomas.
Então vemos os universitários entre os semi-analfabetos ouvindo e dançando “arrocha”, “technobrega”; e considerando notáveis os “rappers” que choramingam discursos contra a violência do cárcere e da condição suburbana. Os morros e valas – em salvador são predominantes e conhecidas como baixas - produzem, a partir dos elementos advindos do fluxo migratório, do êxodo rural, um repertório de bobagens que enaltecem o sofrimento, a pobreza e o fatalismo. Tem baixa de tudo quanto é bicho. Da égua, do tubo, do “raio que o parta” e principalmente do “bicho solto”. O álcool e as drogas ilícitas giram o capital e inspiram os artistas locais, “tietados” por “piriguetes”. É sobretudo, um festival de neologismo, a construção de dialetos de guetos que, como numa rede, disseminam a degradação da língua oficial. Português é para Portugal.
Os pagodeiros de plantão fazem do samba, hoje tombado como patrimônio nacional, mas que em tempos não muito remotos fora também discriminado, uma vertente de música limitada a uma harmonia de dois ou três acordes e melodias que se caracterizam pela mesmice e plágios assumidos. É uma forma comercial de se fazer circular, numa economia provinciana, um subproduto da música popular. Um descalabro!
A predominância da linguagem musical não acontece por acaso. Como pouco se exige da qualidade e sonoridade dessas “commodities” veiculadas em cd´s made in “fundo de quintal”, faz-se qualquer batuque, sobre qualquer balcão, prato, caixa de fósforos e aí os pseudo-intelectuais cheirados e mamados até o cu batem palmas e comemoram a descoberta de um novo talento. Nasce uma estrela decadente que em poucos meses declina até os seus últimos 15 minutos de fama. É um fenômeno mundial anunciado por Andy Warhol, mas que na Bahia ganha peculiaridade, tempero, azeite de dendê.
Mais recentemente o que se denomina de performance também ganha aqui na Bahia a incipiência e acolhimento que lhe são próprios. Põe-se qualquer indumentária barata, fala-se um texto maldito, exala-se qualquer odor de sovaco e, eis a cena, retumbante em um desses teatros de tapume e compensado naval, ou ainda, nas ruas da cidade maltrapilha.
O caricato é a nossa especialidade e a ignorância o principal insumo.
Vamos tratar do quão ignorante é a nossa diversidade mais contemporânea. Falo do caldo cultural da Bahia, sobretudo da cidade de São Salvador. O caldo é abundante e ralo, um “mijo de bode”. A raiz da cultura que se reproduz e se transforma por degeneração é a escassez. A inventiva se multiplica pela falta de oportunidades, pela indisponibilidade, pela inacessibilidade ao conhecimento.
Ora, se o ensino fundamental no Estado tem-se caracterizado pela repetência, evasão, distorção idade-série, apesar de todo investimento anunciado nos últimos anos e do tão comemorado e propalado crescimento da taxa de atendimento escolar, as conseqüências podem ser projetadas. O nível superior é um complexo de fábricas de diplomas.
Então vemos os universitários entre os semi-analfabetos ouvindo e dançando “arrocha”, “technobrega”; e considerando notáveis os “rappers” que choramingam discursos contra a violência do cárcere e da condição suburbana. Os morros e valas – em salvador são predominantes e conhecidas como baixas - produzem, a partir dos elementos advindos do fluxo migratório, do êxodo rural, um repertório de bobagens que enaltecem o sofrimento, a pobreza e o fatalismo. Tem baixa de tudo quanto é bicho. Da égua, do tubo, do “raio que o parta” e principalmente do “bicho solto”. O álcool e as drogas ilícitas giram o capital e inspiram os artistas locais, “tietados” por “piriguetes”. É sobretudo, um festival de neologismo, a construção de dialetos de guetos que, como numa rede, disseminam a degradação da língua oficial. Português é para Portugal.
Os pagodeiros de plantão fazem do samba, hoje tombado como patrimônio nacional, mas que em tempos não muito remotos fora também discriminado, uma vertente de música limitada a uma harmonia de dois ou três acordes e melodias que se caracterizam pela mesmice e plágios assumidos. É uma forma comercial de se fazer circular, numa economia provinciana, um subproduto da música popular. Um descalabro!
A predominância da linguagem musical não acontece por acaso. Como pouco se exige da qualidade e sonoridade dessas “commodities” veiculadas em cd´s made in “fundo de quintal”, faz-se qualquer batuque, sobre qualquer balcão, prato, caixa de fósforos e aí os pseudo-intelectuais cheirados e mamados até o cu batem palmas e comemoram a descoberta de um novo talento. Nasce uma estrela decadente que em poucos meses declina até os seus últimos 15 minutos de fama. É um fenômeno mundial anunciado por Andy Warhol, mas que na Bahia ganha peculiaridade, tempero, azeite de dendê.
Mais recentemente o que se denomina de performance também ganha aqui na Bahia a incipiência e acolhimento que lhe são próprios. Põe-se qualquer indumentária barata, fala-se um texto maldito, exala-se qualquer odor de sovaco e, eis a cena, retumbante em um desses teatros de tapume e compensado naval, ou ainda, nas ruas da cidade maltrapilha.
O caricato é a nossa especialidade e a ignorância o principal insumo.
