por MagnetoA muitos importa mesmo saber sobre os segredos do coração. São desde os mais curiosos e poéticos até os infames e patéticos indivíduos que dissertam sobre as suas constrições e alterações de ritmo. Alguns passam longos períodos sem se dar conta da sua existência, da sua importância, até que um dia ele: puf! - apaga.
Gosto de correr, estreitar a freqüência, alongar e contrair as fibras, produzir endorfinas e ficar feliz. É um vício, é a minha droga. O meu músculo cardíaco é forte e preparado, é o que eu penso e sinto. O condicionamento é a base e assim também se firma como uma grande questão vital: estar condicionado à. A crase é pertinente, pois o objeto em questão é do gênero feminino. Devo apenas tangenciar o assunto, para não dar ousadia, não dar muita trela.
É sabido que um membro amputado do corpo humano permanece existindo virtualmente, por algum tempo, na mente da vítima. A sensação é impressionante, assim atestam os relatos. Pois bem, numa relação de dependência afetiva, consoante ou não, mas essencialmente condicionada, qualquer ruptura, sobretudo se abrupta, deixa seqüelas que beiram o insuportável. Chico Buarque de Holanda escreveu com muita propriedade:
“ó pedaço de mim
ó metade amputada de mim
leva o que há de ti
que a saudade dói latejada
é assim como uma fisgada num membro que já perdi”.
Construir relações de dependência afetiva é mesmo necessário? Não falo daquelas que existem por imposição do genoma. Amo as minhas duas filhas e os meus irmãos. Tenho a convicção de que eles me amam intensamente, embora eu já os veja muito pouco. Eles moram no meu coração forte. Este mesmo fora golpeado em eventos distintos, relacionados à perda por morte de parentes e entes queridos. É a experiência comum, é a sina, é parte da vida.
Repito a questão sendo mais objetivo, contudo, enfatizando que, sem querer dar muita “asa”, liberdade, vez: é necessário mesmo ter um grande amor? Monogamia... sei não. Parece ferir o holístico, o monismo. Se um da relação perceber o grau de dependência do outro, pode, se assim desejar, esmagar-lhe a auto-estima, pô-lo diante do abismo, exaurir-lhe a alma, arrancar-lhe o couro. Passei pela experiência, pela dolorosa experiência e não vou usar a expressão mais chula para qualificar a dor.
Não me encaixo. Admito que perdi. mas agora estou feliz. Sou um up outsider!