segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O Segredo

por Magneto

No ano passado, há apenas alguns meses atrás, fui instigado a conhecer o que seria uma grande revelação. A sinopse já indicava um milagroso remédio, a fórmula do sucesso, a receita para a felicidade. Não obstante tudo tenha sido visto às escuras numa sala de projeção, em sessão gratuita, foi oportuno garantir a sesta antes de voltar ao trabalho. Não cochilei, verdade seja dita. A expectativa de um desfecho mais contundente sobre tudo aquilo que se desenhara a respeito da idéia de materialização do desejo, com base na física quântica e com exemplos de bem sucedidos casos de celebridades mundiais, deixaram-me aceso.

Ao final da exibição, enquanto a sala se esvaecia, os comentários já eram difusos e contraditórios. Quantos olhares esperançosos denotavam satisfação e quanta ironia traduzida em intermitentes gargalhadas, pude perceber. Fiquei em cima do muro, tamanha a necessidade de justificar a mim mesmo por que não estou na lista dos “dez mais” da Forbes.

2007 foi o ano letárgico, o tempo perdido. Dizem que aprendemos com os próprios erros, eu concordo, embora a dificuldade tenha sido encontrá-los nesse período. Foi tudo certinho, arrumadinho e medíocre. Aí talvez resida a questão. Se estás aninhado com interesses de outrem e permanece à sombra destes, não sairás das trevas meu caro. Por outro lado, se visas alçar o vôo, esquece daquele que te usa. Se somos fiéis à palavra, temos um diferencial, de lato, em relação aos outros animais. Os pactos são firmados sob interesses mútuos. Aqueles que se prevalecem de decisões unilaterais são os mais fortes.

É invariavelmente desejado aquilo que está oculto, quem cochicha o rabo espicha e, cobiçar é pecado. Então, só vou te contar um segredo. Um não, dois: usar todos os sentidos, deletar todas as superstições e suposições, incluindo o passado e o futuro.