por MaluFico a me perguntar algumas vezes porque as mulheres e os homens na busca de uma companhia, digo companhia, não relação amorosa , falam tanto em pegar: “Velho, peguei uma gata ontem gostosíssima !! Gente, vocês não vão acreditar quando mostrar a foto do carinha que peguei ontem na festa do Cláudio, Fábio Assunção perde.” O “pegar” que significa segurar, reter, parece ser o preliminar do ficar, tão in, nos dias atuais.Quem não fica, tá “out” total. E pegar só tem este sentido se depois você soltar o que pegou...acorde com um barulho desses...
Polêmicas á parte, sem querer entrar no mérito das coisas boas e ruins do ”ficar“ o que me assusta é esta quase certeza de que pegar alguém ou ficar uma noite, uns dias, vai nos deixar menos sozinhos, vai facilitar o encontro e o conhecer alguém mais de perto. Onde conhecer alguém se faz assim de repente, brevemente, fugazmente ? Tudo bem , você pode esta pensando: e quem nos dias de hoje em que respiramos velozmente vai ter tempo, paciência e saco para usar o seu tempo querendo conhecer alguém? De fato, isto pode ser bem real, mas é também verdadeiro o bando de gente infeliz porque está com alguém que ficou ou pegou, ou porque está sem ninguém e louco para ficar. Enfim, se viver é uma loucura, imaginem viver e ficar...
Quem sabe se encararmos o “pegar” como algo leve e solto sem amanhã tudo se acomoda de modo confortável e prazeroso? Mas vocês sabem: para muitas mulheres deve ter amanhã, depois, e muitas vezes um compromisso sério. O comentário “os homens hoje não querem nada, ou melhor querem tudo em 24 horas e bye, bye, é velho conhecido nosso. Mas muitas mulheres já estão também nesta estrada com este modo de ser ou melhor de “pegar“, bem igualzinho ao dos homens.
Sinal de tempos cada vez mais modernos e menos eternos. O sentimento não permanece nem enquanto dura, ele é pegado e capturado travestido numa sensação fugaz de prazer e gozo, tão volátil e passageira que morre ali onde nasce.
Fica a pergunta e um assunto para outro dedo de prosa. Será o amor uma coisa que se aprende? Ou vamos todos migrar para o reino dos “ficantes”?