por Magno NetoEm seguida subimos a rampa e, enquanto procurávamos a poltrona, por acaso as mesmas de quando assistimos Momix - não digo os números, vou jogar na mega - encontramos os meus primos Paulo e Ana. Casados há aproximadamente 25 anos – nossa! ainda existe isso? - , mostravam-se felizes, dignos da bodas de prata. Conversamos, falamos sobre família e principalmente sobre uma certa viajem que fizemos à Serra Negra lá pelos anos 80, evento à época marcado pelos hits da Rita Lee, em sua melhor fase, e Marina Lima, ainda uma estreante. Depois dos beijos de despedida e das recomendações, sentamo-nos e ficamos a observar, eu e a Lola, o público que se acomodava.
- Aquele ali é o Rui Costa! – comentei.
- Quem?
- Um cara aê que eu conheço...
- Ah... sei... do trabalho?
- É, mais ou menos.
Os lugares foram sendo preenchidos e logo logo estava tudo completamente ocupado. Alguém bem atrás de mim comentou:
- Estão vendendo ingressos, lá fora, por cem reais!
- Um absurdo! – disse um outro, em tom de espanto.
Dinheiro, sempre dinheiro – pensei.
Antes que abrissem as cortinas, uma voz anunciou os nomes dos músicos. Para minha surpresa, entre eles, ninguém menos do que Davi Moraes na guitarra, o que mereceu destaque dentre os aplausos e gritos da galera. O show começou. Eu e a minha mania de achar que o som não estava bom. E não estava mesmo. A voz da Vanessa parecia abafada, sem brilho, o que comprometia sobretudo a sua dicção. Para mim, que conhecia apenas três ou quatro músicas do repertório, ficou difícil entender as letras. Fui também induzido a pensar tal qual os críticos que rotulam alguns intérpretes como sendo artistas apenas “bons de estúdio”. Dei o desconto, não acho que seja o caso.
- Maravilhosa! Delícia! - gritava uma mulher logo acima, entre uma música e outra, durante os aplausos.
- Ela tem umas pernas... – comentou alguém ao lado.
- Gostosa! - exclamou a mesma mulher. – Imagina ela sem roupa – sussurrou.
De fato, uma bela mulher de grande porte, bem vestida, portando-se com graça e desenvoltura, à frente dum cenário bem iluminado, o que abrilhantou o espetáculo. O público extasiado, a acompanhava espontaneamente.
Os arranjos me pareceram lineares para um repertório repleto de baladas e belas canções de natureza telúrica, contudo sem apresentar novos elementos. Gostei muito de ouvi-la interpretar “Veneno”, dentre outras canções. Talvez tenha sido esta a sua resposta a recorrente indagação na fantástica interpretação dada a “Eu sou neguinha ?”. E, no final, “Ai, ai, ai”...
É isso aí. Fomos pra casa satisfeitos, cantarolando algumas canções.